É torcedor sim pooorra !!!

12out11

O que proponho a tratar neste texto não justifica os atos cometidos contra o jogador do Palmeiras, mas busca entender tais atos. O que me levou à pensar e depois tentar organizar no papel essas idéias foi a fala do idiota do Galvão dizendo que não são torcedores. São torcedores sim, seu merda!!!

O torcedor vai ao estádio, compra os produtos do clube, sofre com as derrotas, festeja as vitorias e tudo mais. Do outro lado, o clube trata o torcedor como lixo. Ingressos caros, futebol como negociatas, torcedor em ultimo plano. Quando a razão de existir de um clube deixa de ser o seu torcedor para ser o capital que movimenta o futebol moderno, temos três tipos de torcedores.

Os primeiros – minoria- são os que passam a lutar contra o futebol moderno, criando associações de torcedores pra fazer pressão nos dirigente, passam a criticar sempre que possível os efeitos nefastos da relação capitalismo-futebol, buscam a criação de espaços e ferramentas de combate a esse modelo de futebol, criam outras relações com o próprio esporte, tais torcedores promovem uma politização – critica do futebol. Devida, ótima e anticapitalista, onde o torcedor procura colocar-se como sujeito de sua paixão, pelo clube, mas sobre tudo, pelo futebol.

O segundo são os “torcedores de sofá” que não ligam, assistem pela tv e foda-se, esses são maioria e compõem o perfil desejado pelas emissoras de tv e clubes que ganham rios de dinheiro com a venda dos direitos de imagem, o que em grande parte explica, dentre outras coisas, o descaso com o torcedor de estádio, sobre tudo nos setores populares desses espaços e a elitização dos mesmos.

E por ultimo, temos os torcedores que levados pela paixão ao futebol e ódio a sua modernização, mesmo que não tenham plena consciência desse processo e seus desdobramentos, que por “n” motivos não possuem experiências políticas para se organizar entorno da defesa de suas paixões e desejos, em grande parte pertencente das classes medias e baixas, no turbilhão que se encontram suas paixões não correspondidas, as frustrações de um mundo que não lhes oferece mais do que a opção de serem espectadores em um espetáculo do capital e seus agentes, espetáculo esse reforça a idéia de que somente os possuidores do capital – material e/ou intelectual – podem ser sujeitos. Esses torcedores recorrem à violência, pois nenhuma outra forma de atuação para que se tornem protagonistas de suas paixões e desejos lhes foi apresentada, desde muito esses grupos são privados de experiências para lidar com o mundo, de linguagem para fazer frente à constante expropriação de todos os âmbitos de suas vidas. Seu esporte, não é mais seu, seu clube não é mais seu, bem como sua cultura, religião, o produto de seu trabalho, etc. Obviamente, esse processo de expropriação, como roubo que é, tende a ser violento.

Enfim, temos que ir alem do simples julgamento moral, não somos padres. Temos que pensar essas questões a luz das ótimas ferramentas que tivemos o privilegio de adquirir, é isso ou perdemos a razão de ser. É isso galera, agora toca discutir isso ai porque é assim que aprendemos.

Bjos pra todo mundo. Dimas.

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4 Responses to “É torcedor sim pooorra !!!”

  1. 1 Zolé

    Mano concordo com vc acho que existe um outro tipo de torcedor q você não cita aqui, que é a classe media alta, que paga a tv a cabo e tbm paga para não ter torcedor popular do lado, acha mesmo que esporte é um role de elite e pans…

    mas apesar do que você disse, uma coisa tem que ser colocada aqui: focar uma relação capitalista de mercantilização e expropriação de sua cultura (no caso o futebol) em um atleta, é o mesmo que nós autonomistas focarmos a luta por um mundo mais justo contra um deputado e não contra o Estado!

    Essas manifestações que personificam as coisas são politicas num limite bem tenue da questão, porque como não valorizar a atitude do Kleber que foi contra a instituição e a favor de um colega de classe???

    Acho que em todos os lados da moeda, somos ferramentas dessa maquina capitalista, cada um com sua função, mesmo que essa função seja combater o proprio capital…

    há muito mais entre essas relações do que a opnião de uma midia ridicula que realça a opnião de um terrorismo de estado que prega a cultura de paz para os povos, mas utiliza da cultura de violencia para si!!!!!

    vamo pensando

    boa estreia!

    Tamo junto

    zolé!

  2. 2 Caio

    Concordo com o teor geral do texto, Dimas, mas tô com o Fernandinho no que ele disse.

    E tem um negócio que me intrigou: será que eram oprimidos os torcedores que agrediram o João Victor? Porque não consegui achar informações sobre a classe social dos caras. E mesmo que a opressão, no caso, seja uma opressão aos amantes do futebol que não conseguiram achar caminhos para se expressar, acho que não dá pra colocar tanto peso na questão da aversão à modernização sem pensar nas possibilidades de uma reação de momento, coletiva e não-planejada. Claro, eles foram lá para cobrar, mas a agressão física poderia não ser o único e final objetivo dos caras, é isso que quis dizer.

    Abraços!

    Caio

  3. Zolé,

    Pode crer! Não tinha pensado nisso, o 1º Vida Loka da História quase me convenceu integralmente…

    Aproveito e mando minha solidariedade aos “Los Vagabundos” do Montevideo Wanderers FC que estão passando pela mesma coisa que os “agressores” (tá muito mal contada essa história) do João Vitor.

    Salu2

  4. 4 pigoza

    Gostei do texto do Dilma. Pelo que vi na televisão, fato que obviamente foi muito mal abordado, a não ser de forma discriminatória, a reação do torcedor se deu tanto pelo fato de estar ali um jogador do palmeiras, que estaria portanto servindo de alvo para algo que se extende a toda situação decadente do clube, bem como por estar com um carro importado. O torcedor esfregou na cara do João Vitor que o cara que possui um carro desse e ainda não joga nada. A revolta do torcedor vai além do futebol, ele enxerga ali uma maneira de extravasar a indignação de ver a disparidade econõmica entre ele e o jogador, e se sente por isso na obrigação de cobrar, o que se deu de maneira violenta. Não quero fazer juízo da questão sem ter uma noção correta do que ocorreu de fato, mas pelo ótica social, acho pelo menos legítimo o ato do torcedor.


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