Pronunciamento de Osama Bin Laden acerca da “FESTA” do Livro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas:

24nov10

Em 1949, oito anos antes de meu nascimento, aconteceu em Frankfurt a primeira feira internacional de livros. A partir desta iniciativa, difundiu-se pelo mundo alfabetizado a freqüência e a importância de eventos que contemplem os livros como produtos lucrativos e potencialmente catalisadores do desenvolvimento intelectual necessário à resolução dos problemas existenciais subjetivos e coletivos da humanidade.

As principais características do Livro, armazém de emancipação e mercadoria com valor de uso e valor de troca desconectados, têm se mostrado conflitantes. No caso da “Festa” livresca de 2010 as contradições também se colorem. Apesar de o direito elementar à educação (alfabetização e acesso à cultura geral) ser constitucionalmente previsto como universal, há, entretanto, um concretado e bem policiado distanciamento entre os que não possuem condições para comprar e as bancas de editoras que disputam exacerbadamente a polpuda fatia de consumidores universitários ávidos por descontos em monografias faltosas em suas bibliotecas.

Quero falar também da questão espacial em que tal “FESTA” se insere. O prédio em que será realizada é, segundo a Professora Doutora Sylvia Basseto afirmou no dia da festa da semana Osama Bin Reggae 2010, um espaço público. Contudo, as empresas e a acumulação de lucro oriunda das relações comerciais estabelecidas neste evento não têm e não terão contato algum com o desenvolvimento da res pública e imparcial que essa instituição deve manter cotidianamente para com seus integrantes: alunos (perseguidos ou não), funcionários (perseguidos ou não), professores (reacionários ou não). Eu gostaria de saber se a doutora professora saiu do seu Bunker na ANPUH para reclamar da privatização do espaço público patrocinado pela EDUSP, se ficou resmungando para aqueles que estavam montando a festa do livro sobre o que eles acham da privatização do espaço público, assim como ela fez no Osama Bin Reggae. De bate pronto, nos sabemos: A semana Osama Bin Reggae talvez seja o único momento onde a universidade atinge, ou ao menos chega perto do sentido do público. Convidamos a professora e a todos que se interessarem, a discutir publicamente o sentido de público na universidade e à luta para acabarmos com os cursos pagos que existem nos departamentos de História e Geografia, bem como o combate a privatização do espaço no nosso prédio, perpetrados por feudos como a própria cátedra Jaime Cortesão.

Ainda sobre o espaço, mas agora tratando do mau uso político e econômico que se faz dele, relembro as justificativas apresentadas pela Direção desta Faculdade para a não realização da festa em homenagem aos honoráveis trabalhos que prestei aos EUA ao emprestar minha imagem como pretexto para invasão de países ricos em recursos naturais, como petróleo, lítio e papoula, no dia 17 de setembro de 2010. Entre outras colocações, disse a senhora Sandra Margarida:

b) o prédio, por se encontrar em reforma, não comporta no momento nenhuma outra atividade que não de caráter estritamente acadêmico; em outros termos, o prédio não oferece nenhuma das condições mínimas de higiene e segurança para atividades que envolvam grande número de pessoas;

c) A Direção e as Chefias dos Departamentos de Geografia e História, preocupadas com a iminência do evento, alertam as autoridades universitárias sobre os graves problemas que poderão resultar da realização de uma festa no espaço em questão[…]” (Nitrini, 2010 http://www.fflch.usp.br/scs/comunicadofesta.pdf)

Ora, as reformas ainda não terminaram, o número de banheiros não aumentou, logo, é possível cogitar com certa precisão que a iminência de graves problemas é bem maior no caso da “Festa” livresca do que no popular Osama Bin Reggae. Afinal, serão três dias quase ininterruptos de circulação de intelectuais endinheirados, estudantes cultos e exploração laboral capitalista. Vejamos…

Boas Compras!

Osama Bin Laden

Tradução: Rádio Várzea Livre 107,1 FM.

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One Response to “Pronunciamento de Osama Bin Laden acerca da “FESTA” do Livro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas:”

  1. 1 babi

    acho que o problema não é a ‘festa’ (acho o nome idiota, prefiro ‘feira’) do livro em si, mas sim o excesso de contradições, além das que vocês apresentaram. artistas de rua são tirados da paulista por causa do argumento do uso do espaço público para trocas comerciais, ainda que nenhum deles estivesse pedindo dinheiro a quem quer que fosse, enquanto uma feira de livros é algo natural e incentivado, ainda que com o fim de trocas comerciais explícitas.
    mas acho que osama exagerou nas considerações contra o evento, porque ter livros com 50% de desconto no mínimo é, para mim, uma iniciativa muito boa, já que quase não vou a livrarias porque sofro com a facada dos livros no brasil… acho que é um mercado com lógica de mercado e não vai deixar de ser, por isso acho louvável os sites com domínio público e outras iniciativas menos oficiais e até menos legalizadas na internet. o bom foi terem marcado feira de livro, assembleia de estudantes da usp E encontro de pós-graduação no mesmo prédio, no mesmo dia. Muitio prudente quando se está em reforma [quando não se estará?].


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