Duas visões de luta de classe

20nov10

 De orelhada escuto uma conversa num ponto de ônibus. Uma menina contando sobre seu estágio em presídios. Conta que ao perguntar sobre o motivo dos votos que a Dilma recebeu da população carcerária, ouviu a seguinte resposta:

“Ela fecha com noiz…. Pegou nas arma pra trocar com os polícia”

Genial….

Explicação do Coggiola para a eleição do Lula em 2002:

 

“A crise na Argentina em 2001 gerou muitas manifestações na rua e a saída de investimentos estrangeiros. Os administradores desse Capital perceberam que a Roseana Sarney não saberia lidar com as manifestações nas rua, que a entrada desse capital, no Brasil, levaria. Por isso, definiram que o Lula deveria ser o próximo presidente, para conter as tensões proveniente do capital especulativo”

Trotskismo: doença imbecil do comunismo

 

Não estou defendendo o PT como guardião da classe oprimida, mas negar a participação consciente da gente humilde (como o fer gosta de clamar) é ser muito conservador. Quem sempre toma as pessoas como objeto do julgo do Capital, sem história, sem importância, foge da luta coletiva…

Mas garante sua posição de intecetual, o espaço de sua seita, de seu partido…. Levar a luz, Fazer a História de quem não é nada.

Eu fecho com o Thompson…. a história e a luta de classe só pode ser vista e analisada pelos “de baixo”

 

Marquinhos

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8 Responses to “Duas visões de luta de classe”

  1. 1 Taís

    por isso que eu digo que as vezes eu prefiro um professor de direita (e mais bonito tipo Marcelo Candido ;) ) a esse tipo de coisa…. e o pior que a galera também paga pau pro Coggiola… diz que gosta do curso pra dar suas aulas, concorda com tudo que ele fala e não pára pra pensar!!! velho, relegar tudo que acontece na história ao capital é pior que a direita, porque pelo menos esta oprime tanto que estimula a ação, assim como legitima tanto a ação popular que faz de tudo pra contê-la…

    umas das coisas mais legais que já ouvi de professores lá do DH foi da Marlene e do Norberto… ambos de antiga uhauhaua (aliás, o mundo antigo tem bastante potencial autonomista) que no tempo deles, os estudantes exerciam pressão sobre os professores, que não podiam sair falando qualquer besteira ideológica por aí…

    é isso.. estamos perdidos… a galera lambe o saco do Marcelo Candido, de direita, do Coggiola, de esquerda e ainda reclama que o Marcos Silva é picareta… sim… porque no mundo dos serviços, nós consumidores temos que ser bem atendidos e bem tratados, por isso os professores estão lá também para serem consumidos e nos servirem, vide pagação de pau pro Nicolau…

    lamentável

  2. 2 fecruz

    Boa mancos, parece que não, mas seu texto tem a ver com o que eu escrevi, na verdade esse estagio em que se encontra o coggiola é o estagio pra onde vão algumas pessoas dos partidos, a academia, vide joana salem…

    O lincon me disse um barato dahora, que esses partidos consideram as favelas, e em grande parte a periferia pobre como lupen…

    me explicou o que era o lupen, e que na verdade é um baita equivoco, o que eu concordo, porque a maioria das pessoas que vivem na favela, são trabalhadores, alguns são o lupen classico (o vagabundo), e se extendermos o trabalho ao trafico, então quase ninguem é lupen….

    diferentemente do que acontece na universidade né, com esse pessoal de partido, que a maioria não trabalha….eles são lupen, vagabundos…

    a revolução deles vai ser pra quem?????

    eles realmente acreditam que podem guiar essa “massa alienada” que vota, não idolatra, no PT, porque sabe que o PT também é uma bosta…

    O engraçado vai ser quando eles chegarem nessa população com papo de revolução, e essa minha ideia eu extendo aos carcerários, aos sem terra, sem teto, sem escolha, sem dinheiro, a todos que vivem a um raio de 10km da vila madalena…

    a luta de classes ta ai, so não ve quem não quer….

  3. 3 Ponte

    concordo contigo marquinhos. bom texto aliás.

    acho que intelectual tem o vício de fazer um esforço fenomenal pra encaixar a realidade no que um punhado de autores escreveu. enquanto o negócio não bate, enquanto a realidade tem uma sutileza aqui ou ali que não cabe no livro que ele leu, o cara busca outro na estante pra se ver contemplado.

    não falo contra a intelectualidade, acho que tudo pode ser reforço analítico pra entender ”os de baixo”, não pra dizer o que eles devem fazer. nada mais presunçoso que encaixar as pessoas em esquemas pré-definidos de atuação política e reivindicação social, quando estas pessoas se veem alheias e esses esquemas.

    • 4 Reinaldo Souza

      Bom, eu sei que esse é um blog no qual alguém “de partido” não é bem vido, mas vou comentar. Acho bastante complicado negar qualquer categoria de análise para compreender a realidade. A análise do Coggiola sobre a eleição do Lula me parece correta, pensando na conjuntura do momento e no papel que Lula cumpriria (e cumpriu) quanto à contenção das lutas sociais. Isso é uma coisa, isto é, analisar a conjuntura, as forças políticas atuantes e caracterizar o que a eleição do Lula representa. Outra coisa é discutir qual a visão que “os de baixo”, como vocês chamam, leêm esse processo. Obviamente que o voto dos trabalhadores em Lula, e mesmo em Dilma, é um voto de classe, que expressa, ainda que de forma distorcida, um interesse e uma perspectiva classista. Isso é um dos elementos que diferenciam ainda o PT do PSDB, apesar de programaticamente serem muito parecidos. No entanto, é inegável que tanto Lula quanto Dilma não representam, efetivamente, os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora, ao contrário, são instrumentos do grande capital.
      Agora, quanto a dizer o que os movimentos devem fazer, aí entramos em uma discussão interessante. Pois um partido tem um programa, define política para os movimentos e disputa essa política no movimento de massas. Se vocês forem atuar em algum movimento social, ainda que não como partido, vão fazer o mesmo, isto é, pensar uma política para o movimento e vão disputá-las. Se avaliam que isso é um erro, vocês não podem, por exemplo, se reivindicar socialistas, defender uma perspectiva revolucionária, ou nem mesmo defender a esquerda em abstrato ou a necessidade de combatividade dos movimentos, pois fazê-lo é uma forma de dizer o que os movimentos devem fazer, não é? Impasse difícil, camaradas. Vamos conversando…

  4. 5 fecruz

    Po reinaldo, o desabafo é publico e gratuito cara….

    o vander que muito já desabafou aqui é petista mano…

    se liga, aqui não é coisa de partido, não tem sectarismo não…
    ,
    aqui é pra qualquer um que tenha acesso a internet, infelizmente nao são todos.

    e todo debate levantado é valido, vc pode ter tido essa impressão porque nós sempre escrevemos, o que falta são as “pessoas de partido” escreverem também ué…

    e divulgarem o blog….

    obrigado pela visita, espero que escreva seus desabafos, só não fique chateado se as pessoas discordarem, pois essa é a intenção do blog, construir ou destruir juntos, ou não…

    abraços

  5. 6 Taís

    ainda bem que eu não me reivindico socialista, nem defendo uma perspectiva revolucionária, nunca acreditei numa união da esquerda em abstrato porque isso simplesmente é hipocrisia e não quero entrar em nenhum movimento social, muito menos dirigi-lo… posso dormir em paz e repetir um velho mantra dos dissidentes: “mais 24 horas sem a luta pelo poder”, afinal, autonomia e democracia é “mandar obedecendo”….

    abs

  6. 7 Reinaldo Souza

    resposta honesta e sábia, Taís.

    Valeu Fernandinho pela acolhida, frequentarei mais o blog.

    Abraços

  7. 8 leonardo de sá

    Disputar programas dentro de movimentos sociais é disputar hegemonia. Para isso, é só se espelhar no capital, a forma mais bem sucedida de projeto hegemônico. Sondo assim, se negar e desconstruir conceitos e práticas hegemônicas não seja de esquerda, então não devemos reividicar a esquerda como atuação política.


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